Escândalo do Banco Master (ou Caso Master) corresponde a investigações sobre fraudes financeiras no Banco Master e às relações de seu controlador, Daniel Vorcaro, com autoridades políticas e judiciais brasileiras. O caso ganhou repercussão no final de 2025, com a deflagração da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF) e a liquidação da instituição financeira pelo Banco Central, bem como prisão de Vorcaro no mês de novembro. O caso é considerado a maior fraude bancária na história brasileira, com indícios de envolvimento de autoridades políticas, servidores do Banco Central e integrantes do Poder Judiciário. O esquema do Banco Master envolvia a oferta de títulos de investimento com promessas de altos rendimentos, sem que essa instituição dispusesse dos bens e recursos financeiros que é obrigada a manter como garantia. A operação funcionava, na prática, como uma espécie de pirâmide financeira, em que as aplicações de novos clientes cobriam o déficit dos clientes anteriores. O banco também sobrevalorizava bens e ativos que oferecia em garantia. Responsável pela fiscalização de instituições financeiras, o Banco Central teria falhado na prevenção da fraude. Instituições financeiras ligadas a governos estaduais – como o Banco de Brasília (BRB) e o Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (RioPrevidência) – investiram altas quantias no Banco Master (12 bilhões de reais e 2,6 bilhões de reais, respectivamente), em operações tidas como suspeitas. A imprensa nacional revelou que Vorcaro e o Banco Master buscaram aproximar-se de autoridades nas mais diversas esferas de governo – federal, estadual e municipal, bem como no Poder Judiciário – para oferecer-lhes benesses, como viagens em jatos, festas, apoio financeiro em campanhas eleitorais, contratos de prestação de serviços e outros tipos de vantagens, que pudessem causar constrangimento caso estes fossem julgar ou tomar decisão relativa à operação do banco. As investigações da PF indicam uma organização criminosa com quatro núcleos principais de atuação: um núcleo financeiro, que era responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro; um núcleo de corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; um núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas interpostas; e um núcleo de intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades. Reportagens desde o final de 2025 indicam que múltiplas figuras públicas tinham, supostamente, acesso direto e relações financeiras com Daniel Vorcaro através das abrangentes ramificações do escândalo entre políticos, ministros do STF e governos estaduais. A imprensa indica que teriam recebido dinheiro do Banco Master, entre outros, Guido Mantega (um milhão de reais por mês), Ricardo Lewandowski (seis milhões de reais ao escritório da família) e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes (de um contrato de 129 milhões de reais pagos em parcelas de 3,6 milhões por mês – interrompido com a liquidação do banco). Posteriormente, em abril de 2026, foram divulgados políticos que receberam dinheiro do banco Master, dos quais, Michel Temer, ex-presidente da República; ACM Neto, ex-prefeito de Salvador; Antônio de Rueda, o então presidente do partido União Brasil (UNIÃO). A confirmação dos pagamentos aos políticos foi feita pela CPI do Crime Organizado. Além disso, houve o financiamento de pelo menos 63,7 milhões de reais, de um valor total acordado por Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro em 134 milhões de reais, para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Em junho de 2026, a PF apontou que o senador Jaques Wagner (PT), então líder do governo Lula no Senado, teria recebido uma série de vantagens indevidas em troca de atuação política no Congresso Nacional, como um apartamento em Salvador e 3,5 milhões de reais. Ciro Nogueira, Presidente Nacional do Progressistas (PP) e ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, foi alvo da Operação Compliance Zero, à vista de um esquema de corrupção, de lavagem de dinheiro, de organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Operação Compliance Zero
A operação também investiga emissão de títulos sem lastro comprovado, manipulação de demonstrações financeiras e lavagem de dinheiro por meio de estruturas societárias complexas. No âmbito da operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra executivos, investidores e empresas ligadas ao banco. Parte das investigações tramita sob sigilo judicial, inclusive em razão do envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro, o que levou processos ao Supremo Tribunal Federal. Na segunda fase, Nelson Tanure, empresário cunhado de João Carlos Mansur, foi investigado pela Polícia Federal, por retirar da Ligga Telecom cerca de 350 milhões de reais de seu caixa e aplicar em instrumentos sem liquidez diária, incluindo CCBs do Banco Master. Ligga, antes Copel Telecom, foi adquirida por Tanure na privatização de 2020, por meio do fundo Bordeaux Participações, e foi vendida em 2026 para o Instituto de Tecnologia do Paraná (TecPar) por 1,77 bilhão de reais, assumindo 1,28 bilhão de reais em dívidas. Tanure, suspeito de atuar como um "sócio oculto" do Master e "exercer influência" por meio de fundos e estruturas societárias. Em outras fases da operação foram presos Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicario", e Marilson Roseno da Silva. Em 19 de março de 2026, Vorcaro assinou com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e com a PF um termo de confidencialidade, com objetivo de firmar um acordo de colaboração premiada. No mesmo dia Vorcaro foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Na quinta fase da operação, deflagrada em 7 de maio de 2026, o senador Ciro Nogueira foi alvo da operação com mandados de busca e apreensão. Na sexta fase da operação, deflagrada em 14 de maio de 2026, o pai de Daniel Vorcaro foi preso. Também foi preso um agente da PF da ativa.
Cronologia As investigações sugerem que um esquema de fraudes teria sido arquitetado para encobrir um rombo financeiro no Banco Master na ordem de 52 bilhões de reais. O controlador da instituição financeira, Daniel Vorcaro, teria feito conexões com políticos e autoridades influentes para tentar impedir a liquidação extrajudicial.
Antecedentes Em 1974, foi fundada a "Máxima Corretora de Títulos e Valores Mobiliários", que a partir de 1990 obteve aprovação do Banco Central do Brasil para atuar como instituição financeira, dando origem ao Banco Máxima. Cerca de dez anos depois, a empresa iniciou as operações de créditos, expandindo seu portfólio principalmente com produtos de crédito imobiliário. Em 2016, no entanto, o Banco Máxima esteve perto de decretar falência após ser afetado por uma crise de inadimplência em sua carteira de crédito imobiliário. Durante as investigações sobre o escândalo, foram identificadas operações de câmbio do Banco Máxima para a One World Services (OWS), empresa ligada ao PCC e ao grupo terrorista Hezbollah, no valor de 2,8 bilhões de reais (531 milhões de dólares a época). Essas operações teriam ocorrido entre dezembro de 2018 e abril de 2021, conforme indicam as investigações em um desdobramento da Operação Colossus. Segundo a revista Veja, em 2019, os operadores do mercado financeiro Christian Rego, Felipe Fonseca e Bruno Moraes em delação premiada deram provas de como obtiveram 100 milhões de reais junto a fundos estatais para financiar a operação do hotel Golden Tulip BH, que seria o mais luxuoso do estado de Minas Gerais, negócios de Daniel Vorcaro e do pai Henrique Vorcaro. De acordo com os delatores, os recursos vieram através de propinas a gestores de fundos de previdência de servidores de prefeituras e estatais. Ainda de acordo com a Veja, operadores de propina do PT e da Odebrecht, o doleiro Fayed Traboulsi e políticos como Anthony Garotinho atuaram nas fraudes anos anteriores. Em fevereiro de 2023, dois anos antes da liquidação do Banco Master, uma outra instituição financeira, a Financeira BRK, antiga Brickell, foi liquidada pelo Banco Central em meio a fortes indícios de fraudes e deixou um prejuízo bilionário para ser pago pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Um levantamento feito pelo Valor Econômico mostra que, além do enredo, alguns dos personagens que participaram de operações investigadas são comuns aos dois casos (BRK e Master).
Aquisição do banco e expansão
Em 2018, Daniel Vorcaro assumiu o controle do então chamado Banco Máxima, que anos antes esteve perto de decretar falência após uma crise de inadimplência. Sob nova direção e já sob o nome de Banco Master, o banco ampliou a captação de recursos através da oferta de certificados de depósito bancário (CDBs) com rendimentos muito acima da média de mercado. Essa estratégia fez com que a instituição crescesse de forma exponencial entre 2019 e 2024, onde o patrimônio líquido saltou de 200 milhões de reais para 4,7 bilhões de reais, além do crescimento das carteiras de crédito, que passaram de 1,4 bilhão para 40 bilhões de reais. Os recursos captados pela emissão de CDBs eram frequentemente direcionados a fundos geridos pelo próprio banco, compostos por ativos de empresas em reestruturação financeira, como a Oi, Gafisa, Light, CVC e a Ambipar.
Crise financeira Esse modelo de negócio começou a apresentar problemas entre 2024 e 2025 conforme a instituição precisava pagar os rendimentos desses investimentos de alta rentabilidade. Para capitalizar o negócio e cumprir com os pagamentos dos CDBs, o banco passou a vender parte de seus ativos em meados de 2024, como carteiras de crédito consignado que estavam sob seu controle e fundos geridos pela instituição. As carteiras de crédito consignado são uma espécie de empréstimo para servidores públicos estaduais e municipais onde as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento. A investigação apurou que, no entanto, algumas dessas carteiras de crédito comercializadas pelo Banco Master teriam sido "fabricadas" ou lastreadas em ativos inexistentes ou de baixa qualidade. Como a qualidade das carteiras de crédito já era considerada suspeita à época, as investigações também focaram sobre as entidades de previdência estaduais e municipais que aplicaram recursos em papéis do Master. Segundo apurações, ao menos 18 fundos de previdência de estados e municípios fizeram aplicações em letras financeiras e outros ativos do banco entre outubro de 2023 e dezembro de 2024, com exposição total estimada em cerca de 1,876 bilhão de reais. Entre os mais expostos, estavam a RioPrevidência do Estado do Rio de Janeiro (970 milhões de reais investidos) e a Amprev do Amapá (400 milhões de reais investidos). Após identificar indícios de deterioração financeira, o Banco Central intensificou a supervisão sobre a instituição.
Operações de compra e venda de cotas de fundos Em 2023, Daniel Vorcaro lucrou mais de 440 milhões de reais em operações de compra e venda de cotas de fundo geridos pela empresa Reag Investimentos. Em 24 horas, Vorcaro realizou uma transação em que lucrou mais de 290 milhões de reais entre fundos administrados pela gestora, investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para o Banco Master e para empresas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Tentativa de venda para o BRB Em julho de 2024, o Conselho de Administração do BRB aprovou o aumento de capital da instituição, e o BRB emitiu 124 milhões de ações e passou a ter, no mercado, 486 milhões de ações. O grupo Master/Reag tornou-se dono de 25 por cento do capital do BRB. O Master/Reag tornaram-se a segunda maior acionista do BRB, ficando atrás apenas do Governo do Distrito Federal (GDF), que detém 48,3 por cento das ações preferenciais e 56 por cento das ações ordinárias. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, realizou uma campanha para a aprovação da compra do Banco Master pelo BRB. O governador tentou convencer em entrevista em abril de 2025, dizendo que havia sido feita uma "análise meticulosa" e que acompanhou a operação desde o inicio. O governador ainda na mesma entrevista disse o seguinte: "Vamos falar a realidade: tiramos o BRB da Polícia Federal, como estava no governo anterior, e levamos para a Faria Lima", o que se mostrou uma grande farsa com a explosão da operação Compliance Zero. Quando o conselho do BRB aprovou a compra de 49 por cento ações ordinárias e 100 por cento das ações preferenciais do Banco Master a situação repercutiu na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Deputados Distritais da oposição do governo de Ibaneis Rocha, repercutiram um boato envolvendo o BTG Pactual e o Banco Master. Segundo o deputado distrital Chico Vigilante (PT) "Temos informação de que o BTG ia comprar esse Banco Master por R$ 1 real, e o BRB vai lá e oferece R$ 2 bilhões por esse mesmo banco. E o mais grave é que o BRB aplica esse valor e não vai deter o controle do Banco Master. O que o presidente do BRB está fazendo é uma temeridade. Estou acionando o Banco Central para que tome providência. O BRB não pode ser hospital de banqueiro falido. Se o BTG ofereceu R$ 1 real, por que o BRB vai pagar R$ 2 bilhões? O BRB não é do Ibaneis, mas sim da população do DF. O banco é de Brasília". No dia 19 de agosto de 2025, com 14 votos favoráveis e 7 contra, a câmara legislativa do Distrito Federal aprovou a compra de 49% ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Banco Master. O deputado distrital da oposição Fábio Félix alertou: "Se tudo der errado amanhã, quem vai pagar a conta é a população do Distrito Federal, porque quem vai ter que salvar é o orçamento público do DF". Em contrapartida o líder do governo na câmara, deputado distrital Hermeto (MDB) declarou: "O Banco precisa expandir seus negócios, porque se estacionar hoje não vai ser competitivo no mercado". Segundo o jornal Metrópoles, o empresário Leonardo Ávila, dono da incorporadora Faenge, foi quem abriu as portas do Banco de Brasília (BRB) para que fundos ligados ao Banco Master comprassem ações da instituição estatal em valores que chegaram a 135 milhões de reais por essa operação. Ainda de acordo com o Metrópoles, a Reag e o Banco Master fizeram compra de ações do BRB por meio de fundos. O fundador da Reag, João Carlos Mansur, pagou 193,2 milhões de reais ao fundo Celeno para participação societária no BRB. Em setembro de 2025, a diretoria colegiada do Banco Central bloqueou a negociação, justificando que não havia documentação adequada para demonstrar a viabilidade econômico-financeira da operação. A ação frustrada contribuiu para o desgaste do patrimônio e da credibilidade do BRB perante o mercado.
Envio de recursos para paraísos fiscais Segundo o jornal O Globo, dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) identificou que entre janeiro e julho de 2025 - durante as negociações com o BRB - Daniel Vorcaro enviou pelo menos 700 milhões de reais em ativos do banco Master para uma holding registrada nas Ilhas Cayman, no Mar do Caribe.
Tentativa de venda para o Grupo Fictor Na tarde de 17 de novembro de 2025, a Fictor Holding Financeira anunciou a compra do Banco Master em conjunto com um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos. A operação teria um aporte imediato de 3 bilhões de reais e previa a exclusão de Daniel Vorcaro do negócio. A transação não envolvia o Will Bank, que era objeto de negociação com outros grupos de investidores, e estava pendente de aprovação pelo Banco Central e do CADE.
Liquidação do Banco Master, fundo Reag e Will Bank Em 18 de novembro de 2025, no dia seguinte ao anúncio da tentativa de venda para o Grupo Fictor, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco, afastando seus administradores, nomeando um liquidante e também suspendendo a transação para o consórcio árabe. Em comunicados oficiais repercutidos pela imprensa, a autoridade monetária afirmou que a medida visava preservar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e mitigar riscos sistêmicos. Em 15 de janeiro de 2026, o Banco Central liquidou o fundo Reag diante do esquema bilionário do Banco Master. O fundo já foi alvo de uma megaoperação do Ministério Público de São Paulo contra um esquema de fraudes bilionárias no setor de combustíveis envolvendo integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em 21 de janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação do Will Bank, instituição financeira que faz parte do grupo do Banco Master.
Conexões com políticos e autoridades
Ministros do Supremo Tribunal Federal Na primeira quinzena de dezembro de 2025, uma reportagem do jornal O Globo revelou que o escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, possuía um contrato de 129 milhões de reais com o Banco Master, instituição financeira envolvida em um suposto esquema de corrupção. Em razão desses fatos, a organização Transparência Internacional e comentaristas políticos têm criticado Alexandre de Moraes e o contrato do escritório de sua esposa, questionando eventual conflito de interesses e o nível de influência do banco diante do ministro da Suprema Corte. O ministro foi alvo de novas críticas após ser noticiado, na segunda metade do mês dezembro de 2025, que ele teria reiteradamente entrado em contato com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, para obter informações a respeito do processo de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), o qual ocorrera meses antes, e para "pedir pelo banco Master junto ao Banco Central". Apesar do ministro ter se pronunciado oficialmente e negado tais conversas, comentaristas ponderaram como pertinente a abertura de uma investigação a respeito. Políticos de oposição ao terceiro governo do Presidente Lula falam no Congresso em abrir uma CPI para investigar o Banco Master e por conseguinte o casal Moraes. Em setembro de 2026, foi-se revelado que o ministro André Mendonça havia se encontrado com Vorcaro em março de 2025, antes de assumir a relatoria do caso, em fevereiro de 2026. A reunião foi realizada no Instituto Iter, fundado pelo próprio magistrado, em São Paulo. O encontro foi articulado pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Mendonça confirmou a reunião, afirmando que se encontrou com Vorcaro uma única vez e que se limitou a ouvi-lo. Segundo o ministro, a conversa tratou de questões relacionadas à Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, envolvendo o pagamento de precatórios, e não do Banco Master.
Contratos de consultoria Foram reportados vários contratos de consultoria ou assessoria jurídica que Daniel Vorcaro e seu banco teriam firmado com importantes autoridades em Brasília. As informações chegaram à imprensa através de vazamentos dos documentos enviados à CPI do Crime Organizado. O Banco Master informou pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de advocacia do ex-presidente da República Michel Temer e também R$ 18,5 milhões a Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e então Ministro da Fazenda durante o governo Temer. Michel Temer disse que foi contratado para uma atividade de mediação e que recebeu dois pagamentos em 2025. Henrique Meirelles afirmou que prestou consultoria ao banco e que encerrou seu contrato em julho de 2025. Outra declaração indica que uma empresa de consultoria de Guido Mantega, então Ministro da Fazenda durante governos do PT, teria recebido R$ 14 milhões. O economista confirmou que foi contratado como consultor econômico financeiro para o banco, mas disse que, à época, "não tinha conhecimento de irregularidades eventualmente cometidas por essa instituição financeira". Também foi informado pagamento de R$ 6,4 milhões, desde 2023, a dois escritórios de Antônio de Rueda, presidente nacional do partido União Brasil. Rueda afirmou que o serviço prestado teve caráter estritamente técnico, que todos os serviços prestados pelo escritório são lícitos e contratados regularmente. A imprensa reportou também pagamentos a empresas ligadas a ACM Neto, Fabio Wajngarten e Ricardo Lewandowski.
Procurador-Geral da República Em 25 de abril de 2024, o ministro Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República Paulo Gonet participaram de uma degustação do whisky Macallan em Londres, bancado pelo empresário Daniel Vorcaro. Participou também do encontro o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O encontro foi realizado no George Club, um clube privado que é alugado para essas ocasiões e está localizado na região de Mayfair, uma das áreas mais caras da capital britânica. A degustação do whisky Macallan teve custo de 640.831,88 dólares (cerca de 3,2 milhões de reais), segundo documentos da organização do evento que integram o acervo encaminhado pela Polícia Federal à CPMI do INSS, que investiga o esquema de fraudes no INSS.
Palácio do Planalto Durante os anos de 2023 e 2024, durante o terceiro governo Lula, Daniel Vorcaro esteve pelo menos três vezes no Palácio do Planalto, conforme reportou o portal Metrópoles. A reportagem apontou que as entradas foram registradas na portaria do prédio, mas nenhuma reunião oficial aparece listada nas agendas públicas de autoridades. Houve um encontro entre Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 4 de dezembro de 2024, onde o proprietário do Banco Master teria solicitado orientações relacionadas à possibilidade de liquidez. A informação do encontro havia sido reportada pela imprensa e, posteriormente, foi confirmada por Lula em uma entrevista. Também participaram desse encontro outras autoridades, como o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e Gabriel Galípolo, que viria a ser presidente do Banco Central nos meses seguintes. Lula descreveu o encontro como uma conversa em que avisou a Vorcaro que não haveria "posição política pró ou contra" o Banco Master, apenas uma "investigação técnica" conduzida pelo Banco Central. Segundo a imprensa, Vorcaro teria levado queixas sobre suposta perseguição por fiscalizações do BC.
Contato de políticos Em março de 2026, foi divulgado que investigações realizadas através de perícia nos celulares de Daniel Vorcaro também indicam que o banqueiro teria o contato telefônico na sua agenda com ao menos 18 deputados de diferentes partidos. Incluindo nomes como Nikolas Ferreira e Vinicius Poit. Os presidentes do PP, senador Ciro Nogueira (PI) - citado como "Um dos meus grandes amigos de vida" em conversas vazadas - e do União, Antônio Rueda, e o ex-presidente do PT José Dirceu também estão entre os contatos salvos no celular de Vorcaro. Reuniões longas à época da tentativa de compra pelo BRB com os presidentes da Câmara, deputado Hugo Motta, e do senado, senador Davi Alcolumbre, também foram citadas nestes mesmos vazamentos de conversas.
Flávio e Eduardo Bolsonaro
Jaques Wagner
Investigações
Investigação no STF O ministro do STF Dias Toffoli foi sorteado como relator da ação em 28 de novembro de 2025. No começo de dezembro, Toffoli tornou o processo sigiloso. Dias depois, reverteu a quebra de sigilo que a CPMI de esquema de fraudes do INSS tinha determinado sobre Daniel Vorcaro. No dia 24 de dezembro de 2025, Dias Toffoli marcou uma acareação entre Daniel Vorcaro, um diretor do Banco Central do Brasil e um ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), o qual tentou comprar o Banco Master antes dele ser liquidado pelo Banco Central, para ocorrer durante o recesso forense, em caráter sigiloso, no dia 30 de dezembro do mesmo ano. O então Procurador-Geral da República (PGR) Paulo Gonet se mostrou contrário a esta movimentação de ofício de Dias Toffoli, alegando que tal acareação era prematura e que as premissas para a sua realização não estavam contempladas, requerendo a suspensão de sua feitura por tempo indeterminado. O Ministro Dias Toffoli rejeitou o pedido do PGR e manteve inalterada a acareação. Esta decisão do Ministro foi alvo de intensas críticas por parte de juristas, e da imprensa. Em fevereiro de 2026 a Polícia Federal divulgou ter encontrado mensagens no celular de Vorcaro que indicavam uma relação próxima com Toffoli, inclusive com a menção de supostos pagamentos ao resort Tayayá, da família do ministro. A PF enviou ofício ao STF. Segundo interlocutores ouvidos pela jornalista Mônica Bergamo, o ministro teria confirmado o recebimento de dinheiro através da venda de participação no resort. Com isso, o presidente do STF Edson Fachin intimou seu colega Toffoli a se manifestar sobre o ofício, e analisa a sua suspeição para julgar o caso. Cabe ao plenário do supremo analisar o caso. Em nota, o gabinete de Toffoli rebateu o pedido, dizendo que o mesmo trata de "ilações", numa indicação de que não pretende abrir mão da relatoria do caso. No dia 12 de fevereiro, após reunião conjunta com todos os membros do STF (incluindo o próprio Toffoli), a Corte afirmou em uma nota "não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição", que reconhecem "a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli" e que expressam "apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento". Jornalistas relatam que o apoio ao ministro, embora majoritário, não teria sido unânime, e o ministro Flávio Dino teria sugerido que Toffoli entregasse o caso em troca da publicação da nota de apoio. Assim, no mesmo dia o ministro Dias Toffoli decidiu deixar a relatoria do caso do Banco Master. No dia 12 de fevereiro, ministros do STF levantaram a hipótese de que o ministro Dias Toffoli teria grampeado a reunião e vazado para o portal Poder 360 gerando revolta. O ministro nega vazamentos. O encontro teria sido convocado pelo ministro Edson Fachin, presidente do tribunal. A desconfiança dos ministros se deu após a publicação de uma reportagem no site Poder 360, que contém detalhes dos diálogos entre os magistrados. Segundo a matéria jornalística, a saída de Toffoli da relatoria foi uma sugestão do ministro Flávio Dino. Posteriormente à saída de Toffoli do caso, o jornal O Estado de S.Paulo publicou documentos detalham que o fundo de investimento vinculado ao Daniel Vorcaro teria movimentado 35 milhões de reais em operações que resultaram na compra de parte do resort Tayaya, empreeendimento com participação do ministro do STF. Horas após a saída de Dias Toffoli, o ministro sorteado para assumir a relatoria do caso foi André Mendonça. Em 19 de março de 2026, o ministro do STF, Gilmar Mendes, anulou a quebra de sigilo do fundo de investimentos Arleen aprovada pela CPI do Crime Organizado. O fundo é ligado à gestora Reag, que por sua vez é investigada no caso Banco Master. O fundo aparece nas investigações porque comprou, em 2021, a participação em Resort Tayayá, no Paraná, que eram de uma empresa da família do ministro do STF, Dias Toffoli.
Comissões Parlamentares de Inquérito Depois que a liquidação do Banco Master foi decretada, surgiram as primeiras discussões no Congresso sobre a possibilidade da instalação de uma CPI para investigar o caso. A necessidade dessa comissão só se tornou unânime entre parlamentares de governo e oposição após o retorno do recesso do fim de ano, no final de janeiro de 2026. No dia 28 de janeiro de 2026, Daniel Vorcaro foi formalmente convocado para depor na CPMI do INSS, com o depoimento originalmente agendado para 5 de fevereiro de 2026. A convocação também foi acompanhada de pedidos de quebras de sigilo para subsidiar as investigações. Mais tarde, o ministro do STF André Mendonça decidiu que o comparecimento de Vorcaro era facultativo, o que foi usado por sua defesa para justificar o não comparecimento. Em 2 de fevereiro de 2026, o deputado federal Rodrigo Rollemberg protocolou na Câmara dos Deputados um requerimento para a criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a apurar fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. O pedido buscou formalizar investigações sobre transações e aquisições de ativos apontadas como potencialmente lesivas ao erário e reuniu amplo apoio parlamentar. O líder do PL, Carlos Portinho, afirmou que o Congresso Nacional tem o dever de investigar as irregularidades que podem causar prejuízos bilionários, reforçando o impulso político por apurações no Legislativo. Posteriormente, em 25 de fevereiro de 2026, Daniel Vorcaro foi convocado para depor na CPI do Crime Organizado. Também foram convocados Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do Banco Master; Alberto Félix de Oliveira Neto, Luiz Antônio Bull, ex-diretor de Riscos, todos ligados ao banco Master. Segundo o senador Alessandro Vieira, a CPI investiga se Vorcaro usou empresa da família Toffoli para lavar dinheiro. A CPI aprovou no dia 25 de fevereiro a convocação de José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro Dias Toffoli, do STF, e a quebra de sigilo da empresa Maridt Participações. No dia 9 de março de 2026, os deputados e os senadores da oposição protocolaram no STF um mandado de segurança com pedido de liminar para garantir a instalação imediata da CPMI do Banco Master. Na ação, os parlamentares argumentam que o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, age com "omissão inconstitucional" por não realizar a leitura do requerimento de criação do colegiado, apresentado em 3 de fevereiro do mesmo ano. No dia 11 de março de 2026, o ministro Dias Toffoli se declarou suspeito para analisar uma ação que pede à Corte que determine à Câmara dos Deputados a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master. O novo relator sorteado foi o ministro Cristiano Zanin. Em 12 de março de 2026, a CPMI do INSS aprovou as convocações de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, e da modelo e blogueira Martha Graeff, ex-noiva do dono do Banco Master. No mesmo dia, o ministro do STF, Cristiano Zanin, rejeitou a ação apresentada pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg para criação da CPI do Banco Master na Câmara dos Deputados. No dia 18 de março, o ministro do STF, André Mendonça, determinou que a prorrogação do inquérito do caso do Banco Master por 60 dias. Em 25 de março, senadores entraram com um mandado de segurança no STF para pedir a instalação de uma CPI para investigar o caso do Banco Master. Assinaram os senadores Alessandro Vieira (MDB-SE), Marcos Pontes (PL-SP), Damares Alves (Republicanos-DF), Eduardo Girão (Novo-CE), Esperidião Amin (PP-SC) e Plínio Valério (PSDB-AM). Eduardo Girão e Alessandro Vieira, em 7 de maio, anunciaram pedido de suspeição sobre o ministro Nunes Marques, devido ao seu envolvimento com Ciro Nogueira, para que o ministro abandone a relatoria. Seu filho, Kevin de Carvalho Marques, possui um escritório de advocacia e recebeu R$ 281.630,00 entre agosto de 2024 e julho de 2025, pagos como honorários advocatícios pela Consult Inteligência. A Consult, que "declarou faturamento de R$ 25,5 mil", recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master e R$ 11,3 milhões da JBS (dos irmãos Joesley e Wesley Batista), o que levou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a classificar as transações como "incompatíveis com a capacidade financeira" da empresa e indicando uma possível origem "não formal" dos valores. O escritório de Kevin Marques, que se apresentava no próprio site como um advogado "com um ano de experiência na OAB", negou qualquer irregularidade no pagamento dos honorários e informou que Kevin Marques nunca defendeu casos no STF, rechaçando ainda "tentativas de criminalização da advocacia e de interferência no sigilo profissional".
Desdobramentos O caso teve ampla repercussão institucional e política. Parlamentares passaram a defender a abertura de comissões parlamentares de inquérito, enquanto o Tribunal de Contas da União iniciou procedimentos para avaliar a atuação do Banco Central no processo de liquidação. Especialistas entrevistados pelo Valor Econômico e pelo Estadão afirmaram que o episódio pode levar a mudanças estruturais na regulação do sistema financeiro brasileiro, com maior rigor na supervisão bancária e na governança de instituições de médio porte.
Prisões
As fases da Operação Compliance Zero foram a primeira em 17 de novembro de 2025 e a segunda em 14 de janeiro de 2026. Foram presos na operação o proprietário do banco Daniel Vorcaro e o ex-diretor Luiz Antonio Bull. No dia 4 de março de 2026, Daniel Vorcaro voltou a ser preso pela PF. Segundo a PF, a nova fase da operação deflagrada tem como objetivo investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa. As investigações tiveram o apoio do Banco Central. Um dos jornalistas ameaçados foi Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Fabiano Zettel também foi alvo de prisão preventiva na mesma operação do dia 4 de março. Os outros presos foram Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e Marilson Roseno da Silva. No mesmo dia, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário" foi encontrado desacordado enquanto estava sob custodia da polícia, posteriormente foi internado no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, e foi confirmado sua morte. No dia 13 de março, a segunda turma do STF decidiu por maioria com os votos de André Mendonça, Luiz Fux e Kássio Nunes manter a prisão preventiva de Daniel Vorcaro. No dia 16 de abril de 2026, a PF deflagrou uma nova fase da operação e prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. No dia 7 de maio de 2026, o primo de Danivel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro foi preso pela PF numa nova fase da operação Compliance Zero, apontado pelas investigações como peça central do núcleo financeiro-operacional investigado.
Impacto sobre investidores e Fundo Garantidor de Créditos Com a liquidação do Banco Master, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para ressarcir correntistas e investidores elegíveis, respeitando os limites legais por CPF ou CNPJ, o volume de recursos mobilizado no caso representa o maior acionamento da história do fundo. Os pagamentos tiveram início de forma escalonada em 2026 e passaram a ser acompanhados de perto por órgãos reguladores e entidades de defesa do consumidor, em razão do elevado impacto econômico e social do episódio. Até o dia 6 de fevereiro de 2026, o FGC reembolsou o valor de 36 bilhões de reais referente as fraudes do Banco Master. Estima-se que o valor reembolsado pelo FGC supere os 40 bilhões de reais, e 6 bilhões de reais de reembolso do Will Bank, instituição financeira que também foi liquidada pelo Banco Central da qual pertence ao banco Master. Até 25 de março de 2025, o reembolso financeiro realizado pelo FGC chegou a 39,2 bilhões de reais. No dia 28 de março, foi divulgado pela imprensa que o FGC prestou assistência financeira 4,3 bilhões de reais ao conglomerado Master meses antes das instituições financeiras ligadas ao Daniel Vorcaro serem liquidadas pelo Banco Central.
Envolvimento com o governo do Distrito Federal No dia 23 de fevereiro de 2026, a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) protocolou um novo pedido de impeachment contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), por crimes de responsabilidade cometidos nas negociações entre o BRB e o Banco Master. O pedido foi protocolado na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A representação aponta crime de responsabilidade e acusa o governador de ter participação direta na aquisição do Banco Master pelo BRB. Segundo o Estadão, o Banco Central pode aplicar medidas prudenciais preventivas no BRB . O aporte é necessário em razão da compra, pelo BRB, de 12,2 bilhões de reais em créditos falsos do Banco Master. O banco distrital conseguiu trocar os créditos por outros ativos do Master. No entanto a perda pode ser de 5 bilhões a 9 bilhões de reais. Para cobrir o rombo no Banco de Brasília, o Governo do Distrito Federal (GDF) enviou um projeto de lei para a CLDF no dia 20 de fevereiro de 2026, que prevê a venda de primeiramente 12, e depois reduzido para nove imóveis públicos. O GDF também declarou que: "o Banco de Brasília (BRB) pode precisar de um empréstimo de até 6,6 bilhões de reais para solucionar o rombo patrimonial gerado pelas transações malsucedidas com o Banco Master". Ao final de fevereiro de 2026, a Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio das ações de pessoas e fundos de investimentos vinculados ao Master investigados na Operação Compliance Zero. O valor bloqueado foi cerca de 376,4 milhões de reais. A medida tem como objetivo ressarcimento de prejuízos causados ao BRB pelas fraudes das operações com o Master.
Manifestações O Movimento Brasil Livre (MBL) convocou e realizou uma manifestação em 22 de janeiro de 2026, em frente à sede do Banco Master, na região da Avenida Faria Lima, em São Paulo. O ato foi divulgado pelo grupo nas redes sociais e reuniu centenas de manifestantes, que exigiram maior transparência nas investigações e responsabilização dos envolvidos. Também foram ouvidas palavras de ordem contra o proprietário do banco e contra o ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF.
Atuação irregular de servidores Em 9 de março de 2026, o Banco Central encerrou a investigação interna e sigilosa aberta em janeiro do mesmo ano para investigar a conduta de dois servidores, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana.
Informações do Coaf Em 11 de março de 2026, o jornal O Globo divulgou as informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) que apontaram que uma empresa do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, recebeu 3,6 milhões de reais em pagamentos efetuados pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro, e da gestora de investimentos Reag. No mesmo dia, o jornal O Globo também divulgou as informações do COAF que apontaram que as empresas ligadas a Daniel Vorcaro repassaram mais de 700 milhões de reais em ativos do banco Master para uma offshore com sede nas Ilhas Cayman da qual o banqueiro é sócio.
Compras de obras de arte por fundos de investimentos Segundo o jornal Metrópoles, anotações que constam na quebra de sigilo do Daniel Vorcaro, mostram que uma empresa ligada ao banqueiro fez remessas de mais de 165 milhões de reais a uma galeria de arte em São Paulo. Vorcaro orientou pagamentos a partir de abril de 2024 à Almeida & Dale galeria de arte. As compras foram realizadas por meio da empresa Super Empreendimentos e Participações S.A. A empresa é apontada como intermediária de Vorcaro para o pagamento de operadores de atividades ilícitas, como o dos ex-servidores do Banco Central Bellini Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza e integrantes do grupo criminoso denominado "A Turma".
Declaração de Imposto de Renda A declaração de Imposto de Renda de Fabiano Zettel aponta que o cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fez uma aplicação na Super Empreendimentos, a empresa usada para pagar "Sicário", no valor de 48,5 milhões de reais em 2022.
Investigações relacionadas
Esquemas de fraudes de aposentados no consignado
As investigações detalham um esquema de operacionalização irregular de empréstimos consignados do Banco Master voltados a aposentados e pensionistas. De acordo com as investigações, a instituição teria viabilizado mais de 250 mil contratos considerados "fantasmas", muitos dos quais sem qualquer evidência de autorização ou aval por parte dos beneficiários. Em 20 de fevereiro de 2026, os agentes da Polícia Federal foram ao Senado Federal e, no dia seguinte, levaram os dados sigilosos da investigação sobre o Banco Master para a CPMI do INSS.
Outras operações da Polícia Federal
Operação Barco de Papel Em 3 de fevereiro de 2026, os agentes da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) prenderam o ex-presidente do RioPrevidência Deivis Marcon Antunes, que foi interceptado em Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro após retornar de viagem ao exterior. A prisão ocorreu durante a segunda fase da Operação Barco de Papel, deflagrada pela PF. As investigações envolvem investimentos no Banco Master. A prisão do ex-presidente foi motivada pela descoberta de segundo apartamento alugado no mesmo prédio em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, onde a PF fez uma operação de busca e apreensão no dia 23 de janeiro do mesmo ano. Deivis negou todas as acusações.
Operação Zona Cinzenta Em 6 de fevereiro a PF fez uma nova operação contra irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá com objetivo de investigar o aporte financeiro de 400 milhões de reais no Banco Master. Em 11 de fevereiro, a PF deflagrou a terceira fase da Operação Barco de Papel, que investiga crimes contra o sistema financeiro relacionados à gestão de recursos da RioPrevidência. Segundo a PF, um dos ocupantes do apartamento, que fica no 30° andar do prédio, arremessou pela janela uma mala cheia de dinheiro em espécie antes da chegada da polícia durante a operação para cumprir mandado de busca e apreensão em um imóvel em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. O dinheiro jogado no chão, que tem 429 mil reais em total, foi recuperado pelos policiais. Dois veículos de luxo e dois smartphones foram apreendidos.
Operação Fallax No dia 25 de março, a PF deflagrou uma nova fase chamada "Operação Fallax" com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal (CEF). Comando Vermelho (CV) usava o mesmo esquema de lavagem de dinheiro. Um dos alvos da operação é Rafael de Gois, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor que tentou comprar o banco Master dias antes da liquidação. Luiz Rubini, ex-sócio, também foi um dos alvos da operação. Rubini é um dos membros que compõe o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, do governo Lula. Uma investigação da PF, que deflagrou a Operação Fallax, aponta que o Grupo Fictor e células da facção criminosa CV utilizavam o mesmo esquema de lavagem de dinheiro, baseado em empresas falsas e operações bancárias simuladas.
Operação Exfil
Após os vazamentos de conversas via WhatsApp, entre o banqueiro Vorcaro e ministros do STF, iniciou-se a Operação Exfil para investigar a obtenção ilícita e compra de dados fiscais sigilosos, pertencentes a autoridades públicas e seus familiares, como os de ministros do Supremo Tribunal Federal e Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República, parlamentares, ex-senadores e ex-governadores. Autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito do Inquérito das Fake News, a operação investigou o acesso indevido a sistemas da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelando uma cadeia estruturada que envolvia servidores públicos, funcionários terceirizados e intermediários. O principal alvo das buscas foi o empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, suspeito de encomendar as informações mediante pagamentos em espécie de cerca de R$ 4,5 mil por lista de acessos. Outra operação da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCSP) investiga vazamentos de informação, cujo suspeito principal seria agente lotado em gabinete de Moraes.
Operação Moral Hazard Em 23 de abril de 2026, a PF realizou uma operação contra gestores que exerciam funções estratégicas no Instituto de Previdência Municipal de Santo Antônio de Posse, no interior de São Paulo. Hortêncio Lala Neto, um dos alvos da operação teria atuado como proponente das Autorizações de Aplicação e Resgate (APR) vinculadas às Letras Financeiras emitidas pelos bancos Daycoval e Master, confirmado nas atas das reuniões dos Comitês de Investimentos que decidiram pelas aplicações em outubro de 2023 e abril de 2024. O valor do aporte foi de 13 milhões de reais. A Justiça Federal determinou o afastamento dos investigados de cargos públicos e o bloqueio de bens.
Operação Off-Balance No dia 13 de maio de 2026, a PF deflagrou a Operação Off-Balance que apura possíveis irregularidades na aplicação de recursos do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar, em São Paulo. A investigação suspeitam de gestão temerária envolvendo cerca de 107 milhões de reais investidos em quatro Letras Financeiras emitidas por bancos privados, entre eles o Banco Master.
Políticos investigados Durante as apurações dos aportes no Banco Master, surgiram os nomes do ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Vilmar Mariano e o ex-secretário da Fazenda Einstein Paniago, que também comandou o Instituto de Previdência de Aparecida até 2023. Segundo o Ministério da Previdência Social, o AparecidaPrev declarou ter aplicado 40 milhões de reais em letras do Master em junho de 2024, época em que Mariano era prefeito. Apesar da negativa do conselho - devido à nota bancária inferior de risco do Master - os recursos teriam sido investidos por insistência do então secretário Einstein Paniago. O secretário teria se aproximado de Vorcaro e trabalhado pessoalmente para burlar as regras e realizar o investimento. Segundo o jornal O Globo, ACM Neto recebeu 3,6 milhões de reais do Banco Master e da gestora Reag por meio de contratos de consultoria prestados por sua empresa. O relatório da COAF aponta que "no período analisado, a empresa movimentou recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada". A empresa do ex-prefeito de Salvador, A&M Consultoria Ltda., foi criada em dezembro de 2022, possui capital social de 2 mil reais e presta serviços de "consultoria em gestão empresarial" e "apoio à educação".
Impactos no Supremo Tribunal Federal
No dia 9 de março de 2026, o presidente do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, disse que as investigações do caso do Banco Master vão até o fim, "doa a quem doer", numa referência aos próprios ministros do Supremo suspeitos de envolvimento no escândalo. Segundo Fachin, o objetivo é preservar a imagem da própria instituição. No mesmo dia Fachin se reuniu com o relator do caso, ministro André Mendonça, para tratar das menções aos integrantes do STF nos dados extraídos do celular do banqueiro, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Empresas citadas no caso do Banco Master Em 19 de março de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, mandou o senador Carlos Viana do Podemos de Minas Gerais e o Senado Federal do Brasil explicarem o envio de 3,6 milhões de reais via emendas PIX para fundação da Igreja Batista da Lagoinha que é citada no caso do Banco Master por causa da ligação entre seu ex-pastor Fabiano Zettel e o empresário Daniel Vorcaro, dono do banco investigado por suspeitas de fraudes financeiras.
Veículos de imprensa O jornalista Ricardo Feltrin denunciou que as organizações Globo teriam dívida de 100 milhões de reais a receber com o Banco Master. Segundo o jornalista, Vorcaro tinha estrutura de mídia para proteger o Master. As Organizações Globo acumularam vínculos que abrangem patrocínios de eventos, parcerias em camarotes de carnaval, relações de amizade entre executivos — e, ao mesmo tempo, produziram cobertura crítica do caso Master sem divulgar espontaneamente seus próprios vínculos comerciais com Vorcaro. Sabe-se que Vorcaro participou como expositor de abertura do 1o Summit Valor Econômico Brazil-USA, realizado em 15 de maio de 2024 em Nova Iorque. O evento foi organizado pelo Valor Econômico, jornal da Editora Globo, e teve o Banco Master na cota principal de apresentação. Ao menos sete eventos do tipo ocorreram. Segundo especialistas do setor de eventos e do mercado publicitário, o patrocínio como apresentador do evento não sairia por menos de 10 milhões de reais. Will Bank, banco digital controlado pelo Banco Master, tornou-se patrocinador de destaque do Caldeirão com Mion, com menções frequentes do apresentador, presença na cenografia e ações promocionais que incluíam distribuição de prêmios. Em 2025, a parceria avançou com o lançamento do quadro "Willimpíadas", descrito pelo próprio banco como um "projeto inédito" na televisão brasileira — dividido em quatro episódios, reunindo 200 participantes que disputaram um prêmio de um milhão de reais. Segundo o portal UOL e o MoneyTimes, o investimento no patrocínio superou 100 milhões de reais.
Outras liquidações e recuperações judiciais
Recuperação Judicial do Grupo Fictor O Grupo Fictor, holding com atuação em alimentos e investimentos, entrou em recuperação judicial em primeiro de fevereiro de 2026 com dívidas superiores a 4 bilhões de reais, após uma tentativa frustrada de compra do Banco Master. No dia 9 de fevereiro a justiça bloqueou 500 mil reais em bens da Fictor em uma ação movida por uma investidora aposentada. Ao final de fevereiro de 2026, A Fictor entrou com pedido de recuperação judicial em outras empresas do grupo.
Liquidação do Banco Pleno e Pleno DTVM No dia 18 de fevereiro, o Banco Central (BC) decretou a liquidação do Banco Pleno e Pleno DTVM, do banqueiro Augusto Lima. Em agosto de 2025, o próprio BC aprovou a transferência do controle societário do Banco Voiter, que fazia parte do conglomerado do Master até julho daquele ano, para o banqueiro. Com a transferência, a instituição teve seu nome alterado. Em 2022, o governo do PT na Bahia do governador Rui Costa impediu milhares de servidores públicos estaduais numa armadilha de juros de quase 6% ao mês, pagos ao Banco Master, no programa de cartão de crédito consignado conhecido como Credcesta. Um decreto do então governador Rui Costa, no início de 2022, proibiu os servidores de fazer a portabilidade de suas dívidas para outros bancos que ofereciam taxas bem menores.
Recuperação judicial do Grupo Dia O Grupo Dia entrou com pedido de recuperação judicial com dívidas superiores a um bilhão. A rede reconheceu um prejuízo de 166,6 milhões de reais relacionado a recursos aplicados em um CDB do LetsBank, instituição ligada ao conglomerado Banco Master.
Liquidação do Banco Master Múltiplo No dia 17 de março de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master Múltiplo, parte do conglomerado do Banco Master.
Liquidação da Entrepay No dia 27 de março de 2026, o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira Entrepay. De acordo com o BC é um conglomerado de pequeno porte. As instituições também não possuem captações via instrumentos cobertos pelo FGC. Os bens dos controladores e dos administradores do grupo foram bloqueados.
Consequências Em 12 de maio de 2026, o Tribunal Regional Federal da Segunda Região (TRF-2) negou recurso do Banco Master contra decisão de enviar ao STF o processo em que o Rioprevidência foi autorizado a não repassar ao banco de Daniel Vorcaro parcelas de empréstimos consignados de aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro. Em 30 de maio de 2026, o Banco Central publicou as novas regras para evitar que os bancos usem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como estratégia para atrair investidores e captar recursos no mercado financeiro.
Ver também Corrupção no Brasil Esquema de fraudes no INSS Lista de operações da Polícia Federal do Brasil Operação Carbono Oculto Operação Colossus
Notas
Referências
Ligações externas Entenda a "teia" de fraudes envolvendo o Banco Master A origem controversa do Banco Pleno Liquidações dos bancos Master, Will Bank e Pleno devem deixar rombo de R$ 51,8 bilhões no FGC Perguntas e respostas (FAQ) - Liquidação Extrajudicial do Banco Master De mensagens a resort: as conexões entre Dias Toffoli, Vorcaro e o Banco Master