Na Mira

Pastor é condenado a pagar R$ 50 mil de indenização após falar de autismo
Pastor é condenado a pagar R$ 50 mil de indenização após falar de autismo · Imagem: Imagem cedida ao Metrópoles

Na decisão, o pastor admitiu erro após associar autismo ao diabo, mas negou intenção de discriminar; fala ocorreu durante uma pregação

Pastor é condenado a pagar R$ 50 mil após associar autismo ao diabo
Pastor é condenado a pagar R$ 50 mil após associar autismo ao diabo · Imagem: Source: www.metropoles.com

Larice de Paula

Pastor é condenado a pagar R$ 50 mil após associar autismo ao diabo
Pastor é condenado a pagar R$ 50 mil após associar autismo ao diabo · Imagem: Source: www.metropoles.com

23/10/2026 10:17

Imagem cedida ao Metrópoles

A Justiça do Pará condenou o pastor Washington Almeida, da Assembleia de Deus (foto em destaque), a pagar R$ 50 mil por danos morais coletivos após associar o autismo à atuação do diabo sobre mães e famílias que, segundo ele, não teriam proteção espiritual. O valor será destinado a um fundo público de saúde que atende pacientes autistas.

Segundo a decisão, o pastor reconheceu que errou e classificou a própria fala como inadequada, mas alegou que não teve a intenção de discriminar ou causar danos a ninguém.

O caso ocorreu em 12 de julho de 2024, durante uma pregação. Na ocasião, o pastor fez declarações que foram gravadas e circularam nas redes sociais. Ele afirmou:

“As crianças hoje, de cada cem, nós temos aí quase que trinta por cento de autistas em vários graus. O que está acontecendo?”, questionou. “O diabo está visitando o ventre das desprotegidas, daqueles que não têm a graça, a habilidade, a instrumentalidade para saber lidar no mundo espiritual. E ele só procura os vulneráveis, os desassistidos”, declarou.

A coluna Na Mira tenta localizar defesa do pastor. O espaço segue aberto para posicionamentos.

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Na ação movida pelo Ministério Público, o promotor Luiz Almeida Presotto afirmou que as declarações do pastor demonstraram “insensibilidade, despreparo, preconceito e ignorância”.

“O fato de um líder religioso, em um evento de grande porte com transmissão ao vivo, atribuir a causa do autismo a uma influência demoníaca, muito além de desrespeitoso, é perigoso, pois perpetua desinformação e estigma social”, afirmou o promotor à Justiça.