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Uma terra degradada virou floresta com 172 espécies de aves
Será que duas pessoas, plantando uma muda de cada vez, conseguem refazer uma paisagem inteira? A resposta começa logo abaixo. ⬇️
Em 1998, um fotógrafo e a mulher decidiram devolver a floresta a uma antiga fazenda de gado em Minas Gerais. O Instituto Terra, criado por Sebastião Salgado e Lélia Wanick Salgado em Aimorés, já plantou 2,3 milhões de árvores na área original. A ONG começou com 10 mil árvores e hoje trabalha em 2.346 hectares da Mata Atlântica, na bacia do Rio Doce. O caso prova que paciência e método refazem o que décadas de pasto desgastaram.
Como uma fazenda degradada virou o Instituto Terra?
Sebastião e Lélia decidiram restaurar a floresta que existia ali e, em 1998, fundaram a organização. A antiga fazenda de gado da família, a Fazenda Bulcão, estava degradada após anos de exploração. Ela recebeu o título de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), inédito para uma área degradada, com o compromisso de ser restaurada.
O primeiro plantio veio no verão de 1999/2000. Centenas de estudantes da região, amigos e parceiros ajudaram a plantar as primeiras 10 mil árvores. Faltava conhecimento técnico, mas sobrava vontade de aprender com os erros.
Replantar uma floresta nativa em terreno tão castigado, sob clima adverso, não era tarefa simples. Com o tempo, mais mudas vingavam a cada plantio, e o aprendizado virou método.
Como um casal plantou 2 milhões de árvores no Rio Doce - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Como o plantio cresceu ao longo de mais de duas décadas?
O plantio cresceu em etapas, do primeiro grupo de 10 mil árvores até uma área total de 2.346 hectares em 2024. Cada fase trouxe mais mudas, mais aprendizado e mais parceiros.
Três marcos ajudam a entender essa evolução. Os cards a seguir resumem o que o projeto registra em sua linha do tempo oficial.
🗓️ Três marcos da floresta de Aimorés
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1999/2000: primeiro plantio
Centenas de estudantes ajudam a plantar as primeiras 10 mil árvores da nova floresta.
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2007: a fauna volta
O primeiro monitoramento confirma o retorno de aves, mamíferos, répteis e anfíbios à reserva.
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2020 a 2024: ganho de escala
São 2,3 milhões de árvores na área original de 709 hectares, e novas propriedades levam o total a 2.346 hectares.
Fonte: página Nossa História, Instituto Terra (institutoterra.org/nossahistoria)
A fase atual prevê o plantio de mais 1 milhão de mudas de ao menos 80 espécies nativas na RPPN Fazenda Bulcão. O projeto de enriquecimento deve terminar em 2027 e busca acelerar a regeneração natural da floresta.
Quais animais voltaram à floresta de Aimorés?
Voltaram aves, mamíferos, répteis e anfíbios, segundo o monitoramento de fauna feito em 2007. Os números abaixo vêm do primeiro levantamento da RPPN e mostram uma cadeia alimentar em reconstrução.
- 172 espécies de aves;
- 33 espécies de mamíferos de diversos portes;
- 15 espécies de répteis;
- 15 espécies de anfíbios.
Em 2011, uma fotografia confirmou o retorno de uma jaguatirica, predador no topo da cadeia alimentar. Para o instituto, o registro provou que toda uma cadeia se recompunha ali.
Esse retorno importa porque as espécies dependem umas das outras. Quando aves espalham sementes e predadores equilibram populações, a floresta passa a se sustentar sozinha.
O que o instituto faz além de plantar árvores?
O instituto também produz mudas, forma pessoas e recupera nascentes na bacia do Rio Doce. Três frentes se destacam e levam o aprendizado de Aimorés a outras propriedades.
- Produção de mudas: o viveiro, inaugurado em 2001, gera até 500 mil mudas por ano de dezenas de espécies nativas.
- Educação ambiental: o Centro de Educação para Restauração Ambiental, o curso do NERE e o projeto Terrinhas, escolhido duas vezes pela Unesco como modelo.
- Nascentes: o programa Olhos D’Água, criado em 2010 e premiado pela ONU e pela ANA, evoluiu em 2023 para o Terra Doce, que inclui áreas de recarga hídrica e matas ciliares.
O que essa floresta ensina sobre recomeçar?
Ela ensina que restaurar exige tempo, método e muita gente junta. Sebastião Salgado morreu em 2025, e o instituto garante que seguirá cuidando da terra que ele ajudou a restaurar. A floresta de Aimorés continua crescendo a cada muda nova.
Que tal escolher uma muda nativa da sua região e plantar neste fim de semana? Depois conta pra gente nos comentários como foi.


